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O Minho

Dinâmica Empresarial


Uma análise da distribuição do emprego pelos grandes sectores de actividade económica evidencia uma preponderância do sector secundário na estrutura económica da região do Minho, indiciando, assim, um forte grau de industrialização. De facto, mais de metade do emprego no Minho ocorre no sector secundário (51,3%), o que coloca a região acima do País (35,1%) e da região Norte (45,8%).

 

Na região do Minho, Barcelos (64%), Guimarães (65%), Vila Nova de Famalicão (63%) e Vizela (74%) emergem como os concelhos onde o sector secundário assume maior importância em termos de emprego. O peso relativo do emprego no secundário nestes quatro concelhos indicia diferenças notórias entre o sul e o norte da região minhota em termos de estrutura económica. A parte norte do Minho denota menor cariz industrial, como bem o demonstram os casos dos concelhos de Melgaço (24%), Monção (31%), Caminha (34%) e Valença (34%).

 

 

Importância relativa dos diferentes sectores de emprego, 2001

Área geográfica
% emprego primário
% emprego secundário
% emprego terciário
Portugal
5,0
35,1
59,9
Norte
4,5
45,8
49,5
Minho
4,7
51,3
43,9
Amares
7,6
46,3
46,1
Arcos de Valdevez
19,9
33,5
46,5
Barcelos
4,9
63,8
31,3
Braga
1,1
39,6
59,3
Cabeceiras de Basto
12,6
44,2
43,3
Caminha
4,4
34,1
58,4
Celorico de Basto
15,4
46,9
37,7
Esposende
7,5
52,9
39,0
Fafe
3,9
60,2
36,0
Guimarães
1,5
64,8
33,7
Melgaço
22,6
24,3
53,2
Monção
19,3
31,0
49,8
Paredes de Coura
18,1
38,1
43,4
Ponte da Barca
14,9
36,9
48,2
Ponte Lima
10,3
49,6
40,1
Povoa de Lanhoso
5,8
56,0
38,2
Terra de Bouro
14,9
33,0
52,1
Valença
7,5
34,1
58,2
Viana do Castelo
2,7
43,8
52,6
Vieira do Minho
7,6
45,9
46,4
VN Cerveira
6,3
42,7
50,7
VN Famalicão
1,5
63,3
35,2
Vila Verde
7,3
50,3
42,3
Vizela
1,1
74,4
24,4

Fonte: INE

 

 

O tecido empresarial da região é constituído predominantemente por pequenas unidades. De facto, a esmagadora maioria das empresas da região têm menos de 10 trabalhadores (86% no Minho-Lima, 83% no Cávado, e 82% no Ave). Em termos concelhios, a percentagem de unidades empresariais com menos de 10 trabalhadores, no Minho-Lima, varia entre os 82% (Ponte de Lima) e os 92% (Caminha e Melgaço), no Cávado, entre os 79% (Barcelos) e os 90% (Terras de Bouro) e, no Ave, entre os 79% (Vizela) e os 86% (Vieira do Minho).

 

O Minho-Lima regista as maiores proporções de emprego em indústrias de média e alta tecnologia, destacando-se neste âmbito os concelhos de Arcos de Valdevez (38%), Vila Nova de Cerveira (32%), Monção (22%), Ponte de Lima (20%) e Viana do Castelo (19%). Os municípios do Cávado, do Ave e do Tâmega que são abrangidos por este estudo, apresentam valores percentuais muito mais baixos, sendo excepção o concelho de Braga (30%). Este diferencial encontra justificação na estrutura sectorial da indústria, que marca uma distinção clara entre o norte e o sul da região do Minho.

 

Da análise da informação estatística disponibilizada pelo INE referente à proporção de emprego em sociedades detidas maioritariamente por capitais estrangeiros no ano de 2005, pode concluir-se que há três concelhos do Minho que se destacam de forma clara dos restantes, a saber, Vila Nova de Cerveira (9,1%), Vila Nova de Famalicão (6,7%) e Melgaço (4,8%). A posição de destaque de Vila Nova de Cerveira e de Vila Nova de Famalicão ganha relevância quando se constata que o peso do emprego em sociedades maioritariamente estrangeiras naqueles dois concelhos (em particular no primeiro) ultrapassa o registado para o País (6,6%).

 

De acordo com a informação da COFASE relativa ao ano de 2003, existem no espaço geográfico dos dois distritos 7468 empresas transformadoras que empregam um total de 147285 trabalhadores. O tecido produtivo destes territórios revela-se bastante diversificado existindo, contudo, alguma tendência de especialização em actividades tradicionais, intensivas em mão-de-obra e tecnologicamente maduras. Quase 85% das empresas e cerca de 92% dos trabalhadores encontram-se distribuídos por duas dezenas de actividades distintas. O fabrico de têxteis e a confecção de vestuário são as actividades mais relevantes no contexto dos dois distritos. O conjunto das duas actividades representa cerca de 43% das empresas e quase 55% da totalidade da mão-de-obra empregada na indústria transformadora. O ramo alimentar e o fabrico de calçado são a terceira e quarta actividades mais importantes considerando o conjunto dos territórios em estudo, registando respectivamente 5,3% e 4,8% da totalidade do emprego na indústria transformadora.

 

O tecido produtivo em análise é também caracterizado por um conjunto de actividades que trabalham o metal e a madeira e que têm em comum a sua relação com a construção civil e a produção de elementos para o lar e que no seu conjunto empregam mais de 10% da totalidade da mão-de-obra dos dois distritos. Refira-se o fabrico de elementos de construção em metal (2,7% do emprego), as obras de carpintaria para a construção (1,5% do emprego), o corte e acabamento de pedra (1,1% do emprego), o fabrico de produtos cerâmicos (1,2% do emprego), a serração e tratamento da madeira (0,9% do emprego), o fabrico de cutelaria e ferragens (0,9% do emprego) e a produção de mobiliário (2,6% do emprego).

 

Destaca-se ainda um conjunto de actividades com maior intensidade tecnológica designadamente o fabrico de equipamento electrónico, aparelhos de rádio e televisão, (2,5% do emprego) e um conjunto de outras actividades que muitas vezes se encontram associadas ao sector automóvel, como é o caso do fabrico de componentes para automóveis (2,3% do emprego), do fabrico de moldes (3% do emprego), da injecção de plásticos (0,9%), do fabrico de produtos em borracha (1,3% do emprego) e das cablagens (0,9%). É de sublinhar que a maioria destas actividades está concentrada num pequeno número de empresas, sugerindo a presença de grandes multinacionais.

 

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